Infraestrutura de pesquisa

Construímosinstrumentos parainvestigar o queseria difícil observarde outra forma.

Algumas perguntas exigem acompanhar grandes volumes de informação, relacionar fontes diferentes, observar fenômenos ao longo do tempo ou testar hipóteses em ambientes experimentais.

Nesses casos, desenvolvemos e combinamos capacidades computacionais como parte do desenho de pesquisa.

Ver capacidades

01 / Ordem das coisas

A ferramentavem depoisda pergunta.

A infraestrutura utilizada em uma investigação depende daquilo que precisamos observar. Algumas pesquisas podem ser realizadas com documentos, bases públicas e análise convencional.

Outras exigem coleta automatizada, monitoramento contínuo, processamento computacional, análise territorial ou simulação.

Não existe obrigação de utilizar tecnologia sofisticada quando ela não melhora a investigação.

  1. Pergunta
  2. Método
  3. Capacidade necessária
  4. Instrumento

02 / Capacidades de pesquisa

Nove capacidades

Coletar

Como observar fontes que mudam continuamente?

Aquisição estruturada de informação a partir de fontes públicas e institucionais: dados oficiais, repositórios de anúncios, páginas públicas, documentos e registros administrativos.

Cada coleta guarda origem, data e forma de obtenção. Trabalhamos com o que é público e com o que a fonte disponibiliza — nada além disso.

Monitorar

Como observar um fenômeno ao longo do tempo?

Monitorar, aqui, é construir séries de observação: acompanhar um conjunto definido de fontes em intervalos regulares para que mudanças, entradas, saídas e continuidades possam ser examinadas depois.

O objeto é o fenômeno — publicidade política, presença digital, cobertura noticiosa —, não a vida de pessoas.

Organizar

Fontes diferentes precisam poder conversar.

Dados de origens distintas chegam com formatos, identificadores, escalas e estruturas próprias. Normalizar, deduplicar e vincular registros é parte da construção do material de pesquisa — não um detalhe técnico.

Um identificador oficial estável costuma ser o que permite relacionar bases que nasceram separadas.

Processar

Alguns fenômenos excedem a escala da análise manual.

Agregação, transformação, cálculo de indicadores e busca em grandes conjuntos de registros textuais são feitos computacionalmente quando o volume inviabiliza a leitura direta.

Onde usamos modelos de linguagem, a função é auxiliar e verificável: o modelo sugere, uma verificação automática confere e uma pessoa decide. O modelo não produz evidência sozinho.

Relacionar

O contexto também está nos vínculos.

Um anúncio ganha sentido quando relacionado a quem o publicou, em que semana, com que recursos declarados e em que território.

Relacionar atores, tempo, conteúdo e lugar é o que transforma registros isolados em material capaz de sustentar uma comparação.

Analisar

Processar não é o mesmo que interpretar.

A infraestrutura calcula, compara, classifica, agrupa e ordena. Indicadores são definidos com fórmula explícita e versão registrada, de modo que qualquer número possa ser decomposto nos seus componentes.

A interpretação, porém, permanece no desenho de pesquisa — é ali que se decide o que os resultados autorizam afirmar.

Simular

Simular não é prever o futuro.

É explorar o que um modelo produz sob determinadas condições: comparar cenários, observar mecanismos e testar a sensibilidade de premissas.

O resultado diz respeito ao modelo. Transferi-lo para a sociedade exigiria evidência de outra natureza.

Visualizar

Ver padrões também faz parte de investigar.

Séries temporais, mapas, distribuições e comparações servem tanto à análise quanto à comunicação da evidência.

Cada gráfico que publicamos carrega a fonte e a data do dado que o originou.

Documentar

Uma pesquisa precisa deixar rastros examináveis.

Registrar fontes, decisões metodológicas, versões de indicador e datas de coleta é o que permite reexaminar um resultado depois — inclusive por quem não participou da pesquisa.

Na pesquisa eleitoral em curso, isso tomou a forma de cortes semanais com identificador citável e verificação por hash: uma correção gera uma revisão nova sem apagar o registro anterior.

Conheça nosso método

03 / Território

Território tambémé uma dimensãoda comunicação.

Quem comunica, para quem e a partir de onde são perguntas que atravessam o espaço. Manter uma camada territorial permite relacionar um fenômeno comunicacional ao contexto sociodemográfico em que ele acontece.

Trabalhamos com microdados oficiais das Regiões Administrativas do Distrito Federal e com camadas geográficas próprias. Quando um indicador não é recalculável a partir do microdado, ele não é estimado por conveniência: repetimos o valor da edição anterior com a fonte declarada célula a célula.

Território ajuda a situar um fenômeno. Não o explica sozinho.

Engenharia como capacidade de pesquisa

Às vezes,para responderuma pergunta,precisamos construiro instrumento.

Parte da infraestrutura usada em nossas pesquisas é desenvolvida pela própria Crivo, quando as ferramentas existentes não atendem ao que o desenho de investigação exige.

04 / Instrumentos

Instrumentosque construímospara investigar.

Nem tudo o que desenvolvemos é infraestrutura de pesquisa. Os instrumentos abaixo são os que hoje sustentam diretamente a agenda de investigação — cada um com sua função, seu estágio e seus limites.

Ambiente de pesquisa

Observatório da Presença Digital Eleitoral

Ambiente onde uma investigação é estruturada, acompanhada semana a semana e tornada examinável — do desenho da pesquisa aos dados que a sustentam.

Ajuda a investigar

Como desigualdades de recursos entre candidaturas se convertem em diferenças de capacidade de comunicar, ao longo de um período eleitoral.

Capacidades

Coletar · Monitorar · Organizar · Analisar · Documentar

Estágio

Em operação, com pesquisa em curso. Publica o desenho da pesquisa, o percurso metodológico e cortes semanais de dados com identificador citável.

Limites

Observa o que as fontes públicas disponibilizam — parte do gasto com publicidade digital não é rastreável em repositórios públicos. A leitura produzida é descritiva e associativa, não causal.

Instrumento experimental

Crivo Social Engine

Ambiente computacional para explorar hipóteses sobre dinâmicas de opinião e comportamento coletivo por meio de simulações multiagente, com casos reproduzíveis.

Ajuda a investigar

Que consequências determinadas premissas produzem dentro de um modelo — como um mecanismo descrito na teoria se comporta quando colocado para rodar.

Capacidades

Simular · Processar · Documentar

Estágio

Experimental. Casos determinísticos, executáveis e repetíveis, com limitações publicadas em manifesto aberto — inclusive resultados que refutaram a própria hipótese.

Limites

A população simulada não é amostra: não há marco amostral nem pesos de desenho, e nenhum resultado autoriza inferência sobre a população real. A escala atual não sustenta significância estatística.

Distinções
SimulaçãoPesquisa de opinião
AgenteEleitor real
CenárioPrevisão
Infraestrutura de dados

Camada territorial e eleitoral

Bases de dados oficiais tratadas e mantidas internamente — candidaturas, resultados eleitorais históricos e microdados sociodemográficos por Região Administrativa — com a proveniência de cada indicador declarada.

Ajuda a investigar

Perguntas que exigem relacionar comunicação, território e perfil social, ou comparar um recorte atual com séries históricas.

Capacidades

Organizar · Relacionar · Visualizar

Estágio

Em operação. Alimenta consultas públicas de indicadores territoriais e sustenta o contexto de investigações sobre comunicação política.

Limites

Depende do que os órgãos oficiais publicam e do recorte de cada edição. Indicadores não recalculáveis são declarados como tal, em vez de estimados.

05 / O que a infraestrutura não faz

Automatizamoso que precisaser repetido.Não o que precisaser pensado.

A automação serve à observação em escala: coletar todo dia, registrar toda semana, recalcular quando a fonte muda. O julgamento sobre o que aquilo significa não é automatizável — e não tentamos automatizá-lo.

Nossa infraestrutura trabalha com fontes públicas e institucionais, dentro dos limites que cada fonte estabelece. Não coletamos dados privados, não contornamos controles de acesso e não construímos perfis de pessoas: o objeto das nossas pesquisas são fenômenos comunicacionais, atores públicos e conteúdo publicamente divulgado.

Como tratamos fontes e limites

Que tipo defenômeno vocêprecisa observar?

Quando uma pergunta exige capacidades que ferramentas convencionais não oferecem, a infraestrutura também pode fazer parte do desenho da pesquisa.

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